sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Viagem

Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...

(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).

Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.

[Miguel Torga]

1 comentário:

António Maia disse...

Que lindo! O amigo Torga é um enorme poeta!
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...Triste é apodrecer
Ancorado e amarrado,
No porto da saudade
E da esperança
Que tarda.
...
Agora navego desvairado.
Proa rasgando vento e mar;
Vela cheia...

Abdul-Hamid

Venerando os poetas que não são deste mundo normalizado.
antoniomaia