domingo, 30 de dezembro de 2007

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Tudo farei para não perder o romantismo.

Que me lembre, nunca entrei nesta festa colectiva de tantas tradições regionais. Fui aceitando o ambiente de festa, adorei pensar que as crianças andavam felizes nesta ocasião. Sem fazer muito por isso era contagiado pelo ambiente de festa e participava. Oferecia alguns presentes, recebia alguns presentes e desejava feliz natal às pessoas...
Agora não me apetece, lembro-me como são enganadas as crianças e não participo, não sou pai natal, exijo que as crianças sejam todos os dias felizes, que tenham fantasias, que lhes proporcionemos todos os ambientes possíveis para que a riqueza dos seus imaginários seja diversa.
Arte dramática desde a pré-primária, por exemplo, melhoraríamos a horrível dicção das nossas gentes, aprenderíamos a saber esperar a deixa, ouviríamos muito melhor tenho a certeza. O contacto com os textos, etc, etc. Uma só medida, a disciplina de Arte Dramática desde o ensino básico, com avaliação curricular. Qual quê? A classe dominante não quer dar o Teatro ao povo, têm medo que se possam criar pessoas que pensem e fiquem com outras consciências.

Não dou presentes e ainda consigo receber alguns e não desejo bom natal a ninguém a não ser que seja obrigado, mas troco sempre por Boas Festas. Quero sempre oferecer um presente quando a ocasião for a que pensar certa, sem outro pretexto que não seja aquela determinada ocasião e assim farei todos os dias do ano.

Cada momento que passa mais me convenço que as pessoas, o conjunto das pessoas, são a maior inteligência, portanto estabelecermos a rede social não só é um enorme prazer como é mesmo uma necessidade, o colectivo é um alimento, por si, indispensável ao progresso Humano.
Preciso de toda a gente feliz, necessitamos todos de ter crianças felizes para a garantia de um futuro risonho. :-)

Muitos Momentos de Prazer

venero-os

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

domingo, 23 de dezembro de 2007

As vozes...




Boas festas, muitas festas, com muita alegria!

São os nossos votos.
Venerando-os

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Obstinação

Viesse um vento
Eu poderia içar a vela.
Faltasse vela
Faria uma de pano e pau.

[Bertold Brecht]

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

ANTEMANHÃ

0 mundo está começando
agora, na tua mão.
Tudo pode acontecer!

Cuidado!, de tua palma,
aberta sob as estrelas,
o mundo está começando
a se erguer: como se fosse
um pássaro que se acorda,

que acabou de se acordar,
e vai sair para um vôo

- porque tem fome de céu.
(Tomara que seja azul!)

É um pássaro velho, o mundo,
mas ainda sabe dormir
como um menino. Ainda pode
esquecer o seu chão triste
- para sempre - entre as funduras
de algum mar que se acabou.
Pássaro velho, o teu mundo,
entretanto ainda consegue
- tal como agora, repara!
inventar subitamente
um vôo e um rumo - e se alçar
cantando uma canção nova,
canção feita de manhãs.

E sobretudo ainda sabe
chegar - mas como quem chega
a um lugar que nunca viu
(mas onde sempre morou,)
e que o vai achando lindo,
como se nunca jamais
tivesse te visto, e vai
chegando e vai repousando
um sorriso em teu olhar,
e então te ama, o velho mundo.

E, porque ama - quem diria!,
murcho e seco parecia!
se esquece tão docemente
de que já é velho e era gasto,
e de repente se perde
do tempo que ele trazia
e, louco, vai começando
como um frágil passarinho
acabando de nascer.

Pois então, muito cuidado,
que o mundo está começando.
Da palma de tua mão,
já está se erguendo, lá vai
o pássaro - de tão lindo,
nem parece velho - voando
já está voando, e vai voando
- e é cristalina a manhã.

[Thiago de Mello]

(E Nós) A Ver-O-Mar

Pouca terra, pouca terra, o comboio vai parar
e nós a ver o mar
Pouca terra, minha terra, muita terra por andar
e nós a ver o mar
Sempre a ver navios lá ao longe a passar
a caminho do horizonte
Como se o destino nunca fosse chegar
ou não se lembrasse da gente

Barlavento, sotavento, cataventos a soprar
e nós a ver o mar
Pouca terra, pouca terra, terra à vista de alcançar
e nós a ver o mar
Sempre a ver fantasmas lá ao longe a espreitar
brumas, nevoeiros, tormentas
Hoje é maré alta, amanhã vou zarpar
lua cheia quebra o encanto

Sebastião ali sentado à beira mar
Sem ver o mundo a mudar
Sebastião olha o ditado popular
Antes desengano que andar enganado

Pouca terra, pouca terra, falta pouco para chegar
e nós a ver o mar
Passatempo, contratempo, o mau tempo há-de acabar
e nós a ver o mar
Sempre a ver navios lá ao longe a passar
no oceano do esquecimento
Preso nas muralhas de castelos no ar
em memórias de desencanto

Sebastião ali sentado à beira mar
Sem ver o mundo a mudar
Sebastião olha o ditado popular
Antes desengano que andar enganado

Onde andará esse mar, nunca dantes navegado
Onde foi a nau que lutou, porque sonha o outro lado e não voltou...

Antes desengano que andar enganado

Sebastião ali sentado à beira mar
Sem ver o mundo a mudar
Sebastião olha o ditado popular
Antes desengano que andar enganado

Pouca terra, pouca terra, o comboio vai parar
e nós a ver o mar


[Xaile]

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Versus

Consigo muitas vezes surpreender-me com os cruzamentos da vida. Das nossas vidas uns com os outros.

Quando pensei neste Blogue, pensei, um amigo não tinha onde pendurar umas fotos, porque não arranjarmos um sítio onde podemos pendurar fotografias e outras coisas e porque não relacionadas com Teatro. Assim nasce este espacinho, sem nenhuma pretensão erudita, não, não, longe disso, ou até pelo contrário, tão só um local onde prendêssemos às coisas do Teatro, como que retratos à parede, outras coisas, pedaços de nós; palavras, músicas, vídeos... e poemas, porque não.
Tenho umas coisas ditas por Mário Viegas, que tem uma voz que muito admiro, e continua a surgir a Poesia que muito gosto, daí começo a fazer esta associação da Poesia ao Teatro e fui parar a este texto, onde na minha perspectiva, leio versus e não me parece que seja a abordagem.
O Teatro usa a palavra que pode ou não ser poética, mas até o conceito de poesia não é pacífico, mais nada, o espaço Teatro não ocupa o espaço da Poesia e vice-versa, podem encontrar-se, devem encontrar-se sem receios, assim como a música e o bailado...

Embora resvalássemos para a poesia, muito do meu agrado, mas sem nenhuma exclusividade.
Penso que a poesia pode ser uma forma teatral solitária, não precisa de público, pode ser um espaço individual, ao nosso alcance para representarmos, nem que seja connosco. Possivelmente é essa a razão da ligação da Poesia ao Teatro.

Venerando-os

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Viagem

Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...

(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).

Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.

[Miguel Torga]

(im)perfeições im(perfeitas)

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a Lua toda
Brilha, porque alta vive.

[Ricardo Reis]


Pode parecer orgulho ou egoísmo, mas é posição tomada... peço desculpa aos prejudicados...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Se às vezes digo que as flores sorriem



Se às vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.

Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma.

Alberto Caeiro

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Elba Ramalho e Claudia Ohana

no teatro... como na vida...

No meio de um anfiteatro uma mesa enorme.

Mãos, juntas, carregam-na. E criam um palco.

Ser membro de um grupo de teatro amador é ser actor, produtor, encenador... é ter um sonho e lutar por ele.

A luz acende-se.

Silêncio, o espectáculo vai começar.

[Ana Soares e Raquel Guerra]

O QUE É A “ÓPERA DO MALANDRO”

A Ópera do malandro, de Chico Buarque de Holanda, estreou em Julho de 1978, no Rio de Janeiro. Era época da ditadura militar e o Brasil ainda atravessava um período de repressão, menos intensa que nos “anos de chumbo”, é bem verdade. Apenas para nos situarmos no tempo, foi no mesmo ano que nasceu o primeiro bebê de proveta na Inglaterra (Louise Brown), faleceram Orlando Silva, Ziembinski e o Papa Paulo VI, substituído por João Paulo I, que morreu em seguida, dando lugar a João Paulo II. Mas a Ópera continua absolutamente atual, se lembrarmos a crise de um País entregue à falcatrua, ao comércio de bundas, ao capital estrangeiro, à corrupção – questões prementes desde o final dos anos 70, quando a peça foi escrita.

O texto, baseado nas Ópera do mendigo, de John Gray (de 1918) e na Ópera dos três vinténs, de Bertold Brecht e Kurt Weill (de 1928), é ambientada num bordel e retrata a malandragem brasileira, em espetáculo musical, com composições de Chico Buarque de Holanda. Em meados dos anos 80, o conceituado cineasta Ruy Guerra (de Os Cafajestes e tantos outros filmes) transpôs a obra para o cinema. Várias já foram as versões apresentadas no teatro; a última delas trouxe a direção de Gabriel Villela, no ano de 2000 .

Chico Buarque, em 1978, declarou que a sua Ópera do Malandro “é um texto novo, em cima da Ópera do Mendigo (The Beggar’s Opera), com detalhes de Brecht”. No elenco da montagem original, dirigida por Luiz Antonio Martinez Corrêa, participaram Otávio Augusto (Max), Marieta Severo (Terezinha), Elba Ramalho (Lucia) e Emiliano Queiroz (Geni).

Ambientada em um bordel, ela conta a história de um malandro carioca, tentando sobreviver nos anos 40, final da ditadura de Getúlio Vargas – clima bem parecido com o de 1978. Como espetáculo musical, que é, a trama gira em torno de Max, ídolo dos bordéis. A temática, como não poderia deixar de ser, retrata a malandragem brasileira no submundo da cidade do Rio de Janeiro, com todos os ingredientes capazes de nos transportar àquela época, com a chegada das meias de nylon e dos produtos norte-americanos, que entravam clandestinamente. Não muito diferente da cena das falsificações vendidas pelos camelôs de nossa cidade maravilhosa.

A Ópera do malandro foi lançada numa época em que a poética de Chico Buarque estava “afiadíssima”. Ele vinha de uma tentativa frustrada de montar outro musical, Calabar, sufocado pela censura do regime militar. Talvez, também por isso, a Ópera fale de corrupção policial, do jogo entre o aparato oficial e a bandidagem, tudo bastante atual como mostra o noticiário dos jornais. A trilha produziu várias preciosidades que foram fazer sucesso em outros discos, como Folhetim, cantado por Nara Leão, na trilha, e sucesso com Gal Costa. Chico pegou O meu amor interpretado por Marieta Severo e Elba Ramalho para o disco que tinha seu nome como título, lançado em 1978, e no qual também incluiu a Homenagem ao malandro na trilha.

e que tal?

Penso que este espaço pode ser muita coisa.
Fiz o convite às pessoas de quem tinha o endereço electrónico, se faltar alguma, podem convidar também.
Se acharem melhor outro nome para o blog, podem alterar, aliás podem alterar o que quiserem, desde que haja uma preocupação de estética e de linguagem, natural.
Vamos lá!
Participem, mandem a vossa criatividade para a tela.

Venerando-os
antoniomaia